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Mercado e Tendências

O acabamento mudou. A conversa sobre ele, não.

16 de julho de 2026 · 8 min

O acabamento mudou. A conversa sobre ele, não.

Por Henrique Zorzi, fundador da BVZ Agência

Todo abril, Milão reescreve o vocabulário do morar. Em 2026 não foi diferente: mais de 1.900 expositores de 32 países, e um recado que atravessou a feira inteira sob o tema "A Matter of Salone". A matéria voltou a ser protagonista. Pedra, madeira, vidro, metal, fibras e biomateriais deixaram de ser suporte para virar narrativa.

Laca brilhante, vidro texturado, madeiras reaproveitadas, metais patinados, curvas envolventes, cores saturadas em contraste com neutros profundos. O que Milão está dizendo é simples: acabamento é discurso. É onde a marca fala sem precisar abrir a boca.

A indústria brasileira de alto padrão entendeu a primeira parte da frase. Investe em acabamento, contrata designers, importa maquinário, refina processos. Mas ainda não entendeu a segunda: comunicação também é acabamento. Tem peso, textura e durabilidade. E, como todo bom acabamento, se percebe à distância quando foi mal feita.

É comum ver marcas com produto impecável e comunicação genérica, presas ao ciclo curto do lançamento, do post, do vídeo institucional que envelhece em três meses. Falta perguntar, antes de qualquer campanha: essa conversa está à altura do que a marca fabrica?

Se não houver resposta, o lançamento foi um evento, não uma construção.

Milão já entendeu que a matéria comunica. Falta a indústria brasileira entender que a comunicação também é matéria: ela tem peso, textura e durabilidade. E, como todo bom acabamento, se percebe à distância quando foi bem feita.

Henrique Zorzi é fundador da BVZ Agência, que há mais de quinze anos trabalha com marcas de alta decoração para que a conversa sobre o produto esteja à altura do produto.