
Sabe aquele papo de que hoje em dia todo mundo é criador de conteúdo? Que a gente deixou de compartilhar as coisinhas que a gente tem vontade para performar algo nas redes e deixar o feed bonito?
Se a lógica sempre foi viver uma experiência e, depois, eventualmente, compartilhar algo sobre ela, o conteúdo era a consequência da vivência. Agora, a experiência é planejada em função do conteúdo que ela vai gerar.
Isso não é um comportamento de nicho. Pesquisas mostram que uma fatia relevante de viajantes já escolhe destino, restaurante ou atração a partir do que viu nas redes, e não do que buscou por conta própria. E essa inspiração sempre existiu, o problema é quando ela vira um passo a passo. Assim, a rede social deixa de ampliar o repertório de possibilidades de alguém e passa a substituí-lo por um único caminho que já provou gerar engajamento.
Esse caminho já traçado nos blinda da descoberta: o lugar que não estava na lista, o olhar pro que está acontecendo ao redor, tudo aquilo que produz experiências genuínas.
Autenticidade como posicionamento
É nesse cenário saturado que se abre a maior oportunidade para marcas e criadores: a escassez do mercado não é mais a visibilidade, é a originalidade.
Em um ambiente onde a maior parte do conteúdo é derivada, é uma repetição, o que se torna valioso é o conteúdo que só poderia ter vindo daquela marca ou daquele criador específico. Algo que nasce de um processo, uma pesquisa, uma vivência ou um ponto de vista que não existiria de outra forma.
Criadores e marcas que constroem a partir de um repertório próprio não competem por atenção dentro do ciclo de imitação. Eles são a matéria-prima que a bolha depois copia.
Mas isso exige um esforço maior: trocar a pergunta "o que está funcionando agora?" pela pergunta "qual a perspectiva que só eu posso oferecer, que ninguém mais pode dizer do mesmo jeito?".



